Aonde nosso coração alcança

Minhas pesquisas têm me levado a lugares que, há poucos meses atrás, jamais teria imaginado ir, em busca de conhecer os rostos, saber quem são, pensar em como trabalhar junto, com mulheres que habitam uma realidade que até há pouco eu dedicava atenção apenas circunstancial.

No espaço de poucas semanas estive no Jardim Lapenna, em São Miguel Paulista, Zona Leste da Capital, em Parelheiros, no extremo Sul da Cidade de São Paulo, e finalmente, falando no Paço das Artes, região central da Capital, no evento “Cidades Seguras para Mulheres “, realizado em parceria entre a Bienal de Arquitetura de SP e a Action Aid.

Meu grupo e eu estamos trabalhando sobre a temática das mulheres e da infância em territórios informais. Nosso foco é ajudar a pensar em modos de intervir nesses lugares de modo a gerar uma vida melhor para as mulheres e as crianças, a maioria do contingente de habitantes. Se a vida for melhor pra elas, também será para os homens, acreditamos.

Nessa pequena andança inicial, a amplitude potencial do trabalho não se mostrou tanto nos poucos lugares em que estive fisicamente, mas na viagem a que me conduziram as mulheres maravilhosas que conheci no percurso. Pessoas que generosamente concederam tempo e atenção para contar suas histórias, seus feitos, seus aprendizados.

Minha vida nestas semanas não foi apenas de São Miguel a Parelheiros, passando pelo Centro. Perambulou também pela cidades de Lisboa, em Portugal, pelas vielas da favela de Heliópolis, a maior de São Paulo, em sua região sudeste, por Osasco… encontrando a parada final em um inesperado sobrevôo pelas comunidades quilombolas de Garanhuns em Pernambuco. Todo esse trajeto foi percorrido no fluxo das palavras, das expressões, do riso e do cenho franzido das mulheres que foram recosturando pedaços de sua história, oferecendo este presente que foram as reflexões sobre suas vivências.

Algumas ouvi porque estive no local em que elas moram e atuam. Às outras, encontrei pelo caminho deste trabalho a que agora me dedico: contaram-me suas histórias e voltaram para seus mundos. E a cada processo que passamos entre nós – de contar/ escutar – foram tecendo-se os fios que delicadamente alcançam cada coração, a começar por suas extremidades.

Gosto de pensar que elas se lembrarão de mim em algum momento. E que nas nossas lembranças umas das outras faremos um desenho até onde o coração alcança.

Ana Gabriela Godinho Lima

 

Fotografia:

Ayane Melo.

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Cortesia Eliane Vilar/ Prefeitura de Garanhuns PE

Agradecimentos:

Teresa Craveiro

Eliane Vilar

Angélica Benatti Alvim

Viviane Rubio

Lidia Tavares

Referências:

A pesquisa está sendo conduzida no contexto do Termo de Cooperação Mackenzie Brasiliana, coordenada por: Ana Gabriela Godinho Lima e Rodrigo Mindlin Loeb

Blog: projetomackenziebrasiliana.wordpress.com

 

 

Visite também:

femininoeplural.wordpress.com

anagabrielagodinholima.net

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