Doçura e simplicidade

Não é possível ser doce sem ser simples. Foi o que andei considerando estes dias. Um gesto de doçura tem esta qualidade de ser algo pequeno, modesto, ligeiro, mas que abranda o espírito.

Um gesto doce se oferece sem esforço, e por isso não sugere a expectativa de um retorno, uma recompensa. Um sorriso, um olhar, um toque casual são as experiências prosaicas que podem portar, inesperadamente, inadvertidamente, a doçura. Um átimo em que se compartilha uma centelha de alegria, um pequeno pulso elétrico.

Outras experiências também podem ser portadoras de doçura. Ouvir com atenção, amparar com cuidado, acompanhar com gentileza, olhar de verdade.

A doçura é também um pequena esperança de redenção. Como já disse Sêneca: “Tu podes ter a virtude sem nenhum aparato nem despesa. O que quer que te faça virtuoso já está contigo.”

Dito isto me despeço, à moda das cartas de Sêneca a seu amigo Lucílio:

“Passa bem!”

Ana Gabriela Godinho Lima

Ref. Sêneca ca. 4 a.C – ca. 65 d.C. Aprendendo a  viver / Lucílio Anneo Sêneca; tradução de Lúcia Sá Rebello. – Porto Alegre, RS: L&PM, 2017.

Imagem: fotografei as rosas que foram um presente de minha irmã, Ana Laura, à minha mãe, que as acomodou num vaso de alabastro que foi de nossa bisavó. Gestos de doçura que atravessam gerações 🙂

 

 

 

 

 

 

 

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